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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Cracóvia – Fábrica de Shindler + Complexo de Wawel

Depois de termos enfrentado Auschwitz no dia anterior, só queríamos um programinha light para nos despedirmos da Cracóvia.  Naquele mesmo dia às 21h iríamos para Budapeste, então tínhamos que aproveitar.

Como o Mike se ofereceu para nos levar para conhecer a cidade (de carro), nos demos ao luxo de acordarmos um pouco mais tarde, já que não teríamos que nos preocupar com condução. Depois do café da manhã preparado lindamente pela mãe do Mike, saímos para conhecer um pouco mais da Cracóvia.
Fábrica de Shindler
A fábrica era a nossa primeira parada. Depois de ter visto o filme A Lista de Shindler, me encantei e me emocionei com a história de um cara que resolve salvar mais de 1000 judeus do holocausto, simplesmente contratando-os para trabalharem na sua fábrica. A história é verídica e vale a pena visitar à fábrica. Então, já que eu estava na cidade onde a fábrica estava instalada, eu não podia perder a oportunidade de conhecer, não é mesmo?
A fábrica está situada no endereço  35 Rynek Glowny e a entrada custa 16 Zlots (moeda da Polônia). Com a ajuda do nosso host compramos os ingressos e fomos conhecer o museu.
A fábrica foi transformada em um museu, onde conta a história dos judeus e a participação dos mesmos na segunda guerra mundial. Em algumas áreas você pode conhecer o escritório do Sr. Shindler e até mesmo ver as panelas que eram fabricadas na fábrica. Salas contendo objetos utilizados pelos judeus e até mesmo uma sala onde você se sente dentro da guerra. Chão de pedras, arames farpados e barulhos de bomba...Se ali que era tudo falso dava aflição, imagina viver no meio daquilo?
Se você quiser mais informações sobre o horário de funcionamento da fábrica, acesse o site: http://www.krakow-info.com/schindler.htm
Almoço de Despedida...
De todos os lugares que praticamos o couch surfing, a Cracóvia foi de longe a que se destacou em termos de hospitalidade. Não que nos outros lugares os nossos hosts não foram  gentis, longe de mim...Annabelle na Bélgica foi uma fofa, como já disse antes. E Camille e Antoine literalmente cederam o apartamento deles em Paris. Mas eu não sei, o clima ali na Cracóvia era diferente.
A mãe do Mike fez questão de fazer um almoço com pratos típicos da Polônia. E como sempre, a mesa estava linda. Um almoço digno de rainhas, com entrada, prato principal e sobremesa. Experimentamos a típica sopa de beterraba. Achei gostosa, mas bem condimentada. Experimentamos também uns rolinhos de repolho com carne moída e arroz...Uma delícia. E como sobremesa strudel de maça e outras delicinhas. Gente, estava mais do que satisfeita. Enquanto almoçávamos conversávamos com os pais dele. Em especial com o pai dele que falava inglês muito bem. E como ele gostava de conversar...Disse que tinha muita vontade de vir ao Brasil e que simplesmente amou o CD do Tom Jobim que demos pra ele (inclusive colocou para tocar durante o almoço). Queria saber sobre a economia, política, tudo sobre o Brasil...Chegou o ponto da mãe do Mike ter que pedir pra ele parar de falar e comer porque a comida estava esfriando...hahuahuahuahau.
Passado o almoço perfeito que tivemos, o Mike nos levou para conhecermos o complexo de Wawel.
Complexo de Wawel
Antes de viajar eu simplesmente não sabia como falar Wawel. Tentei de tudo, Uáuel, Vauél e até mesmo Uável...Mas eis que o nosso host nos ensinou: pronuncia-se Vavel, o W tem som de V lá.
O complexo fica no topo de uma colina e abriga um castelo e uma catedral. Como o dia estava super, hiper, mega chuvoso e não tínhamos todo o tempo do mundo, não compramos o ticket que dava direito a entrar de fato no castelo. Ficamos só pelo lado de fora mesmo. Mas já valeu a visita! Apesar da neblina e claro, do frio o lugar é lindo!
A Cracóvia é conhecida por inúmeras lendas e uma das lendas mais famosas é sobre o Dragão que vivia em uma caverna ali nos arredores do complexo de Wawel.  Rege a lenda que havia um dragão que aterrorizava a população da Cracóvia e ninguém tinha coragem de matar o tal dragão. Eis que o rei do local informou que aquele que conseguisse matar o dragão se casaria com sua filha. Então, um carinha bem humilde, mas muito esperto teve um plano. Ele fez uma ovelha gigante com peles, encheu a ovelha falsa de enxofre e colocou na entrada da caverna do dragão. O dragão com o olho maior do que a barriga, comeu a tal ovelha, mas o enxofre fez a barriga dele arder tanto que ele foi até o rio Vistula e bebeu tanta água, mas tanta água que acabou explodindo...Mocinho esperto não?? Rsrsrs. Até hoje a tal caverna do dragão fica aberta à visitação e na porta fica a escultura de um dragão que solta fogo. Nós não fomos à caverna, porque não ia dar tempo. Mas andei lendo relatos de pessoas que foram e acharam bem legal.
Wawel - Chove chuva...Chove sem parar...
Complexo de Wawel
Wawel
E a chuva deu uma pequena trégua...Complexo de Wawel
Em frente ao Complexo tinha essas placas indicando a distância para outros lugares...Achei legal
A plaquinha virou a marca do blog na nossa fanpage :-)
Praça Central
Quando saímos do complexo, descemos e fomos para a praça central da Cracóvia. A praça é bem bonita e abriga a igreja de Santa Maria e o mercado central.
A igreja tem uma arquitetura bem peculiar. Ela não é simétrica, como a maioria e tem uma das torres maior que a outra. E para explicar o motivo, tem mais uma lenda...rs. Rege a lenda que a construção das torres foi fruto de uma aposta entre dois irmãos, príncipes. Venceria quem conseguisse erguer a torre mais alta. Um deles venceu, é óbvio, embora hoje já nem se saiba quem foi.
A igreja é bem bonita e vale a visita.
Igreja de Santa Maria
Ainda na praça passamos pelo Mercado Central. É um mercado enorme que vende desde artesanatos até souvenires normais, como imã, cartões postais e porque não mini dragões?? É lógico que comprei o meu dragãozinho né? Sendo uma lenda tão forte da cidade, não podia deixar de ir embora sem o meu..rsrs.
Mercado Central - Lindo não??

Depois de visitarmos a praça, Mike nos levou para tomar o melhor chocolate quente da Cracóvia. Eu ficava meio receosa quando falavam em chocolate quente na Europa, tive muitas experiências ruins, pode acreditar...hahahaha.
Em Londres o tal chocolate quente era água quente com chocolate em pó (devia ser proibido chamar aquilo de chocolate quente).
Em Paris o chocolate quente era bem gostoso. Mas feito com leite e chocolate em pó.
No trem chegando em Praga mais um chocolate quente fajuto feito com água quente (cadeia neles..rsrs).
Em Praga o chocolate quente era delicioso e enorme...tinha até chantilly no topo. Tá, tá, meio enfeitado demais, mas estava ótimo (estava ganhando até o momento)
Mas foi na Cracóvia que eu tive o melhor chocolate quente de todos. O nome do local? Wedel. Localizado bem na praça central.
Nós entramos (o lugar é bem lindinho) e fomos super bem atendidos pela mocinha que trabalhava no local. Eu pedi um chocolate quente que vinha com uma bola de sorvete, mas fiquei na dúvida se o sorvete vinha dentro ou fora do copo. Mas chocolate quente com sorvete não tinha como ser ruim né? E não foi. O sorvete vinha dentro da caneca de chocolate quente. Gente, simplesmente delicioso...Vai pra Cracóvia? Passe no Wedel e tire suas próprias conclusões.
Chocolate quente perfeito do Wedel
E estava chegando a hora de darmos adeus para a linda e hospitaleira Cracóvia. Voltamos para casa do Mike, fizemos as malas e fomos nos despedir dos pais dele. E a última fofice (se é que existe essa palavra) da noite foi a mãe do Mike ter feito sanduíches para nós duas levarmos na viagem e ter nos dado de presente colares que ela mesma fazia. Gente, me apaixonei por eles..rsrs.
Nos despedimos e entregamos um cartão postal do Rio de Janeiro para os pais do Mike e para o próprio Mike, como símbolo de gratidão e como forma deles terem uma imagem linda do Rio de Janeiro para guardar.
E lá fomos nós, mais uma vez encarar um trem noturno. O Mike nos levou até a estação de trem e ficou conosco até o trem sair. Gente, fofo demais.
Estávamos indo para Budapeste e nos despedindo daquela cidade linda e encantadora, que de fria só tinha o tempo mesmo, porque as pessoas....Ah...as pessoas eram as mais calorosas possíveis. Quero voltar à Cracóvia e conhecer lugares que não pude conhecer!

E você? Já foi pra Cracóvia? Curtiu?

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Auschwitz – O Retrato da Maldade do Ser Humano

Um dos motivos que queríamos conhecer a Cracóvia é porque a cidade foi um dos palcos de uma das guerras mais crueis da história da humanidade. A Segunda Guerra Mundial.

Digo uma das mais crueis, pois foi nessa guerra que um dos homens mais influentes da Alemanha, Adolf Hitler, institui um estado Nazista onde uma das principais atrocidades era dizer que todos aqueles que não eram dignos de viver, deveriam morrer. Só assim a Alemanha teria uma raça pura e forte para conquistar o poder perdido com a guerra anterior (primeira guerra mundial). Quem eram os indignos? Judeus,  deficientes e doentes mentais, prisioneiros de guerra soviéticos, homossexuais, maçons, testemunhas de jeová e ciganos. E para exterminar todos os “indignos” só construindo lugares extremamente grandes onde essas pessoas poderiam ser utilizadas como trabalhadores escravos e serem mortos das formas mais crueis que se pode imaginar. E foi então que surgiram os campos de concentração por toda a Europa. E o maior campo de concentração estava localizado ali na Polônia, a mais ou menos  1 hora de carro da Cracóvia – Auschwitz - e era pra lá que estávamos indo.
Chegando em Auschwitz
Depois de tomarmos um café da manhã super especial na casa do Mike, ele nos levou até a rodoviária para pegarmos o ônibus que nos levaria direto para Auschwitz.
Parênteses: Naquele dia o tempo estava muito bom. Sol e céu azul, então coloquei menos casacos do que eu deveria. Se arrependimento matasse...Explico melhor depois!
O Mike nos ajudou a comprar as passagens e disse para a mocinha do caixa que queria 2 passagens para Auschwitz. Ela nos disse que havia um ônibus que estava indo pra lá em 20 minutos. Compramos as passagens, que se não me engano foi uns 16 Zlots (Ida e volta) e seguimos para a plataforma e verificamos que o nosso ônibus não era na verdade um ônibus e sim uma van de uns 12 lugares.
Combinamos com o Mike que quando voltássemos, eu enviaria uma mensagem pra ele do Mc Donald’s (santo wifi grátis) e ele viria nos buscar.
Entramos na Van, escolhemos sentar nos bancos de trás porque tinha um pouco mais de espaço para a Paula. Ela mede quase 1,80 né, então ela sempre saía em desvantagem...rsrs.
A viagem durou uma média de 1 hora, mas em um momento da viagem o vidro de trás parecia estar com uma frestinha aberta e vinha um vento gelado bem no nosso pescoço. Só Jesus! Não conseguimos dormir, porque estava bem desconfortável ali.
Descemos bem em frente à entrada de Auschwitz I. Andamos até a área da bilheteria e compramos uma visita guiada. Após às 15h você pode conhecer o local gratuitamente e sem guia. Mas achamos que um lugar com tanta história, deveria ser conhecido com um guia. Pagamos 40 zlots pelo ingresso que incluía a visita guiada à Auschwitz I e II com duração de aproximadamente 4 horas. No site http://en.auschwitz.org/z/, você pode ter mais informações sobre valores e horários das visitas.
O Início de um dos “tours” mais angustiantes da minha vida...
Nós esperamos um pouquinho e eis que a nossa guia apareceu. Ela era polonesa e o inglês dela estava meio difícil de entender. Tinha muito sotaque. Até a Paula que fala inglês muito melhor do que eu, estava com dificuldade de entender algumas vezes. Fora que não parecia que ela estava muito satisfeita naquele emprego. Não estou dizendo que ela deveria ser uma guia sorridente, até porque naquele lugar não tinha como, mas que tivesse um pouco mais de empolgação com a coisa, mas tudo bem!
Auschwitz I
Começamos a visita em frente a entrada que dizia Arbeit Macht Frei (O trabalho liberta), que ironia não? O trabalho liberta para aqueles que seriam por muito tempo escravos e mortos.


Nesse portal estava escrito uma das maiores mentiras contadas pelos Nazistas - "O Trabalho Liberta"
Auschwitz I virou um museu, onde são mostrados mapas dos lugares de onde os judeus e outros refugiados eram caçados e levados para lá. Os Nazistas percorriam os diversos lugares da Europa atrás dos judeus, lugares como Reino Unido, Budapeste e Roma estavam marcados no mapa, mas nada se comparava a Polônia pela quantidade de judeus que vivia naquele país.

Além de informações como quantidade de pessoas que foram levadas para aquele local e consequentemente foram mortas ali, você podia saber como as pessoas chegavam ao local e como viviam, ou melhor sobreviviam.
Inicialmente todos que desembarcavam em Auschwitz passavam por uma triagem e ali as famílias começavam a ser desfeitas. Imagine você chegar em um lugar com a sua família e de repente todos deveriam ficar separados. Inicialmente a triagem era para separar homens de mulheres, posteriormente crianças, jovens e idosos e por último aqueles que tinham alguma capacidade de realizar serviços braçais daqueles que estavam doentes ou impossibilitados. Normalmente estes últimos eram mortos logo na chegada. Para os alemães não justificava aquela pessoa viver, já que ela não “servia” para absolutamente nada.
Durante essa fase da visita, me deparei com uma sala onde estava dispostos objetos pessoais que chegavam com aquelas pessoas. Malas com os nomes escritos, roupas, óculos, sapatos, muletas. Todos esses objetos estavam em uma parede de vidro enorme. Era uma quantidade absurda de objetos e foi ali que eu comecei a sentir uma angústia e um aperto no peito. Eu ficava imaginando aquelas pessoas chegando ali, sem saber muito bem o motivo de estarem ali ou o que seria do futuro delas.
Depois de ver esses objetos, foi mostrada uma parede de vidro somente com as latas do veneno que era utilizado para matar as pessoas dentro das câmaras de gás. O cyclon B. Ali, naquele momento a angústia aumentou de tal forma que me deu uma vontade enorme de sair correndo daquele lugar. Eu não conseguia parar de pensar em como o ser humano podia chegar naquele nível de crueldade. Não eram animais (e nem os animais merecem um tratamento assim). Eram pessoas, tinham uma vida, uma história e que por um preconceito perderam suas vidas. Triste demais.
Tínhamos terminado o nosso tour em Auschwitz I e a nossa guia deu um intervalo de 20 minutos para irmos até Auschwitz II – Birkenau.
O intervalo era mais do que bem vindo. O clima estava tão pesado que nada melhor do que sentar e deixar os pensamentos voarem por um tempo.
Compramos um chocolate quente (feito com água...por que eles fazem isso meu Deus? :/) e esperamos a nossa guia próximo ao ponto de encontro que ela havia falado.
Ficamos ali e vimos que já tinha dado o horário. Quando olhamos bem a nossa volta o lugar estava meio vazio, olhei para a cara da Paula e: “Fomos esquecidas pela nossa guia”. Vimos que não éramos as únicas. Um casal que estava no nosso grupo também estava meio perdido.
Bom, resolvemos pegar o ônibus para Auschwitz II sozinhas, já que não ia adiantar ficarmos ali paradas. O ônibus estava incluso no ingresso e a estação é em frente à entrada do museu. O trajeto durou em torno de uns 5 minutos.

Malas das pessoas que chegavam

O tamanho dessas construções...

Potes e mais potes de Cyclon B

Óculos de todos que passaram por ali*

Auschwitz II
Quando chegamos em Auschwitz II, não vimos o nosso grupo e tentamos nos aproximar de um outro grupo que estava fazendo a visita em inglês. Mas a guia simplesmente disse que não poderíamos ficar ali e que deveríamos procurar o nosso grupo. Eis que láááá no final avistei a nossa guia (a bota branca que ela usava ajudou a identificar..rs). E nós corremos, corremos e conseguimos alcançá-la. E eu não me aguentei né? Cheguei para a guia e disse que era um absurdo ela não ter nos esperado e nem ter se dado conta que não estávamos lá. Gente, no tour gratuito que fizemos em Paris o guia contava e se preocupava com o grupo. Ali que era pago era a Bangu? Faça-me o favor né? Soltei os cachorros no meu inglês macarrônico (já disse que meu inglês fica péssimo quando estou nervosa..rs) e seguimos com o tour.


Auschwitz II*

Um caminho sem volta*

Um dos vagões que foram utilizados na época*
Nessa parte do tour conhecemos de perto os lugares que as pessoas ficavam.
Os alojamentos, se é que podem ser chamados assim, era simplesmente um galpão onde foram construídos triliches com tijolos e madeira. Só isso. Nas “camas” dormiam em média de 12 a 15 pessoas amontoadas umas com as outras. O chão na época, não tinha azulejos ou pedras, era barro puro e quando chovia aqueles que ficavam perto do chão tinham que conviver com a água que inundava o local.


Alojamento
Banheiros também eram indignos. Simples buracos feitos um ao lado do outro sem qualquer privacidade e sem qualquer higiene. Os soldados nazistas faziam prontidão enquanto a pessoa fazia as suas necessidades e ai daquele que ultrapassasse o limite de tempo estipulado para utilizar o banheiro.


"Banheiros", se é que podem ser chamados assim*
Banhos, não eram diários e quando tinham, a água que era utilizada nos chuveiros era envenenada para que as pessoas não pudessem beber e matar a sede.
Mas o local que mais me marcou foram as câmaras de gás. O lugar que foi planejado para ser feito o extermínio em massa. As pessoas eram levadas ao local e achavam que tomariam um banho, pois eram totalmente despidas, ao entrar, os soldados fechavam as portas e jogavam o veneno pelo teto. O cyclon B ao ser aspirado, entrava nas vias respiratórias e as pessoas acabavam morrendo por asfixia em poucos minutos. E o que faziam com os corpos? Simplesmente queimavam ou até mesmo enterravam em buracos enormes onde as pessoas eram jogadas lá dentro.


Câmara de Gás*
Crematórios*
Durante todo o trajeto vimos diversas homenagens às pessoas que perderam suas vidas ali. Rosas, coroas de flores, velas e afins.
O nosso tour estava acabando e o frio estava aumentando. A cidade parece que tem um clima triste. O Sol que reinava na Cracóvia estava meio escondido ali e pelo fato de não ter colocado os meus 4 casacos costumeiros (sim, eu praticamente usava 4 casacos...rs) estava morrendo de frio. A luva não esquentava, o casaco não esquentava...O frio era demais. Depois que chegamos na Cracóvia descobrimos que a temperatura estava em torno de 5° graus...Uiii.
O tour terminou, pegamos o ônibus de volta para Auschwitz I e fomos procurar como fazíamos para voltar para a Cracóvia. Encontramos o ponto de ônibus que levava direto para a rodoviária da Cracóvia e iriamos pegar o penúltimo horário. O preço da passagem era de 10 zlots. Mas um ônibus nunca demorou tanto pra chegar...O frio estava congelando os meus ossos e o cansaço mental estava acabando comigo.
A experiência de ter conhecido Auschwitz nunca vai sair da minha memória e ao escrever esse relato, por vezes parei para tomar fôlego e escrever...Mas uma viagem não é feita somente de momentos alegres e paisagens bonitas, também serve para você refletir na sua vida e ser grata por vivê-la intensamente, enquanto as pessoas que estiveram naquele local não tiveram a mesma oportunidade que você.


Réplica do Paredão de fuzilamento e as homenagens

Mais homenagens

Ainda há esperança

Todas as fotos marcadas com * foram retiradas do site Creative Commons, ou seja, o uso pode ser feito livremente na internet

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Polônia - Um Lugar Chamado Cracóvia

E saímos da República Tcheca e chegamos à Polônia, mais especificamente na Cracóvia.
Já escrevi aqui um post falando sobre esse lugar que  muita gente não conhece (Clique aqui para ler o post). Eu achava super engraçado quando as pessoas me perguntavam quais os lugares que eu iria conhecer nesse “mochilão” e aí eu começava a listar os lugares badalados como Londres, Paris, Amsterdam até que chegava na Cracóvia. A cara que a pessoa fazia, primeiro por não saber onde exatamente ficava a Cracóvia no mapa e segundo por querer saber o que tinha de tão especial naquele lugar para eu “gastar” um dia de viagem lá. Cheguei até a ouvir a seguinte frase: "Ahhh Cracóvia, eu sei...É aquele lugar que aparece no filme que o Tom Hanks fica preso no aerorporto né?"...Ok, ok, o nome do país é bem parecido mesmo (Krakozhia), mas não era isso..rsrs. Ah! Para aqueles que não sabem, o nome do filme é O Terminal e o filme vale a pena.
Bom, já expliquei os meus motivos pra vocês no post e não vou ser redundante, mas essa era uma das cidades que eu estava mais ansiosa de conhecer.
Chegando na Cracóvia
No dia anterior à nossa chegada enviei uma mensagem para o facebook do nosso host. O Mike. E ele havia nos informado que nos pegaria na estação de trem independente do horário (gente, chegamos por volta de 07 da manhã...madrugada pra mim...rsrsrs). Tô falando que ele era um anjo?
Saímos da estação de trem e não avistei o Mike. Deixei a Paula tomando conta das malas no Mc Donald's e fui ver se tinha outra entrada na estação. Não consegui identificar nenhuma outra entrada não, então voltei para o Mc Donald’s, vi que tinha sinal wii-fi grátis e rápido e mandei uma mensagem para ele pelo facebook. Uma hora ele ia ver não é? Quem fica sem acessar o facebook um dia inteiro? Não conheço uma alma viva...rsrs.
Depois de enviada a mensagem, esperei e eis que vejo um carinha alto e todo simpático. Era ele...O anjo Mike. Um polonês que, graças ao bom Deus, tinha estudado por 1 ano em Portugal e sabia falar português muito bem. Era tudo o que precisávamos, um polonês que sabia falar português.
Ele foi nos buscar de carro, nos ajudou com as nossas malas e fomos rumando para a casa dele. Fomos conversando sobre a Cracóvia, nossos motivos de estarmos ali e ele todo empolgado querendo saber mais sobre o Brasil.
Enquanto estávamos no carro, falamos que queríamos ir à Auswitz naquele dia, já que iríamos para Budapeste no dia seguinte a noite, então não podíamos perder muito tempo.
Ele disse que poderíamos chegar em casa com calma, tomar um banho e comer alguma coisa e que depois ele nos levaria até a rodoviária para pegar o ônibus que nos levaria à Aushwitz.
A Hospitalidade Polonesa
O Mike morava com os pais, era filho único e tinha um cachorro fofo. Eu ainda não sabia qual seria a reação dos pais dele ao nos conhecer, vai que não fossem com a nossa cara?
Primeiro conhecemos a mãe dele. Uma fofa. Ela não falava muito inglês, mas tentava se comunicar com a gente. Ela havia preparado uma mesa linda de café da manhã. Com direito a chás, pães e queijos da região. Tudo muito bem arrumado na mesa. Achei aquilo tão bonitinho!!
Depois de tomar o banho revigorante, nós pegamos os presentinhos que levamos para eles e fomos entregar.
Parênteses: Nós levamos lembrancinhas para todos os nossos hosts, como forma de agradecimento por abrir as suas casas pra nós. Para Camille e Antoine, em Paris, levamos uma garrafa de guaraná natural (eles amavam, vai entender? Rs). Para a Annabelle na Bélgica, levamos um par de havaianas. Para o host de Amsterdam, levamos uma caneca do Rio e para o Mike e os pais dele levamos uma camisa com a Praia de Ipanema e um CD de Bossa Nova. Fica a dica caso você fique hospedado na casa de alguém que não conhece e quiser causar uma boa primeira impressão.
O Mike simplesmente amou a camisa e a mãe dele amou o CD. Acertamos em cheio nos presentes. E ficamos lá tomando café da manhã e ouvindo Tom Jobim, na Cracóvia. Adoro a Globalização...rsrsrs.
Combinamos com o Mike o que faríamos naqueles dois dias que tínhamos e ele prontamente se ofereceu para nos levar onde fosse necessário. Achamos melhor conhecer Aushwitz naquele dia mesmo e no dia seguinte conhecer um pouco mais da Cracóvia.
Não vou relatar a experiência de conhecer Aushwitz neste post. É um lugar tão marcante que merece um post único.
Cracóvia’s Night
Depois que voltamos de Aushwitz o Mike se prontificou a nos levar para conhecer o que a Cracóvia tinha de bom a noite.
E lá fomos nós debaixo de um frio de 3°C. Gente, foi a  noite mais fria de toda a viagem. Eu entrava no carro e não queria sair mais. Pra completar a cena ainda estava chovendo, ou seja a sensação térmica diminuia ainda mais.
Mike nos levou para o centro da Cracóvia e nos mostrou uma rua onde tinham vários pubs. Entramos em um deles, tomamos um drink, mas ficamos pouco tempo, já que o lugar estava muito cheio.
Partimos em direção a outro Pub. Dessa vez ele era meio subterrâneo. O Pub era bem legal e aconhegante tb. Ficamos por ali um tempo, conversamos, observamos como os poloneses se divertiam, Paula resolveu experimentar uma cerveja francesa que tinha tequila (jurava que a cerveja era mexicana...rs), conversa vai, conversa vem e eu já estava como: Pra lá de Bagdá de sono. Não conseguia mais manter uma conversa. Se a conversa parava por 30 segundos, meus olhos me traíam e começavam a fechar involuntariamente...rsrs.
Cracóvia's Night
Voltamos para a casa, praticamente cedo, tipo umas 01 e pouco da manhã . Tínhamos que descansar, pois ainda queríamos conhecer lugares como o complexo de Wawel e a fábrica de Shindler no dia seguinte.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Cracóvia o quê?? o_O

Enquanto estamos na fase do planejamento, queria compartilhar com vocês como chegamos à conclusão dos lugares que visitaremos... Na verdade estou contando que os lugares serão esses, mas as coisas ainda podem mudar (e mudaram)...rsrs. Se a minha amiga Paula não inventar de conhecer mais nenhum lugar estranho no mapa...rs.


Inicialmente seria: Paris, Bruges, Bruxelas, Amsterdam, Berlim, Praga, Viena, Florença e Roma, mas depois tiramos Viena e Florença e inserimos a Cracóvia no meio... É isso mesmo...Cracóvia!!! Aí você pensa: “Putz, elas vão deixar de conhecer Viena e Florença pra ir à uma cidadezinha no meio da Polônia?” E eis que te respondo: Sim, meu caro leitor, te darei alguns motivos (motivos esses que a Paula usou comigo...rs):
  • A Polônia ainda não faz parte da União Europeia, então consequentemente não utiliza o euro como moeda...Ponto pra Polônia;
  • A moeda da Polônia (slotz) vale está praticamente equiparado ao Real...Ponto pra Polônia;
  • A Polônia foi palco de uma das guerras mais importantes da História Mundial (II Guerra)...Um ponto negativo, mas mesmo assim mais um ponto pra Polônia;
  • E a Polônia abriga o maior campo de concentração utilizado no mundo (Aushwitz)...Um ponto triste, porém um ponto pra Polônia (Leia o post de Aushwitz aqui)
Então, um local com tanta história não poderia passar despercebido por duas viajantes ávidas por experiências inesquecíveis.

Confesso que fiquei meio receosa com o fato de conhecer o maior campo de concentração do mundo. Um local de história triste. O fato de pensar que milhares de pessoas perderam as suas vidas ali, mexe com qualquer um, mas ao mesmo tempo eu penso: “Onde, no mundo, eu teria uma experiência como essa?”. Uma viagem não se resume só a baladas, ficadas, novas amizades e lugares bonitos. Resume-se também a reflexão e aumento de conhecimento. Ok, ok...Se você não tem “estômago” pra isso, não vá...Se achar que tem, acesse o site http://www.auschwitz.org.pl/ (o site está disponível em inglês e polonês...Se não sabe nenhuma das duas línguas, não se preocupe, você pode ver as fotos pra ter uma ideia.).
Leia aqui a minha experiência em Aushwitz

Além disso, a Cracóvia possui muitos lugares bonitos (joga no Google imagens pra você ver...rsrs). Tem o complexo de Wawel (até hoje não aprendi a falar o nome desse lugar...rs) que possui castelos incríveis. Dentro desse complexo tem a Caverna do Dragão. Rege a lenda que um dragão morava aí nessa caverna...Se é verdade, eu não sei, mas juro pra vocês que depois que vi as imagens parecia que o mestre dos magos ia sair dali a qualquer momento...rs...O pior é se o Vingador vier junto com ele...(Momento Geek do post..rs). Além dessas atrações, tem também a fábrica do Sr. Shindler...É aquele mesmo do filme A Lista de Shindler. O empresário que salvou mais de 1000 judeus ao contratá-los para trabalhar na fábrica dele. Se você não viu o filme ainda, está perdendo!

Então, foi por esses e outros motivos que a Cracóvia (adoro falar esse nome...rs) entrou na nossa lista...E acho que nos encantaremos tanto por essa cidade que vamos querer voltar.



O símbolo da Cracóvia - Dragão

Auschwitz


Complexo de Wawel

A Praça Central da Cracóvia

Zlot - A moeda da Cracóvia