Então havia chegado o grande o dia. O dia em que aguardei
desde a minha adolescência. Depois de 3 vistos negados eu já tinha perdido um
pouco as esperanças de conhecer a terra do Tio Sam, mas como eu sou brasileira
e não desisto nunca, tentei pela quarta vez e dessa vez, deu certo! (Leia a história do visto aqui...).
Uma grande parte da minha família reside nos Estados Unidos
e uma das minhas tias (obrigada Tia Nice) me presenteou com a passagem de ida e
volta para visitá-la e conhecer as maravilhas que a América oferece.
O dia era 28 de Agosto, às 10pm e eu embarcaria enfim para o
meu sonho adolescente.
Murphy...A gente vê
por aqui...
Pra variar eu cheguei bem cedo no aeroporto (eu fico com
um medo enorme de pegar trânsito no trajeto aeroporto-casa e perder o vôo, quem
nunca? Rsrs)
Eu não sei se era ansiedade ou se foi o lápis de olho que eu
passei, mas a minha lente de contato começou a embaçar, mas não era embaçar do
tipo tirou, colocou de novo e pronto...nãããão...Era do nível de ter que tirar e
usar o óculos...Mas assim, pra quem não sabe, eu tenho 12 graus de miopia e
usar óculos não é o melhor dos mundos pra mim...Costumo dizer que o óculos é a
minha criptonita...hahahaha. Mas entre enxergar e ficar mais bonita, eu preferi
enxergar... e lá fui eu para o check in.
Eu já fiz alguns checkins internacionais nessa vida, mas
para os Estados Unidos foi praticamente um inquérito policial...Pensei até que ali
era a própria imigração. Perguntas do tipo: “Você
está portando alguma arma de fogo?” “A sua bagagem esteve todo o tempo com
você?” “Alguém te deu alguma coisa no trajeto para o aeroporto?” “Qual o
endereço que você vai ficar nos EUA?” Depois de respondido o inquérito as
perguntas, fui para a área de embarque. Me despedi dos meus pais e fui para a
minha primeira viagem internacional sozinha.
Voando de US Airways
Então a hora do embarque chegou...Eu já tinha devorado um
fandangos, uns salgadinhos e um iced tea...Era muita ansiedade e como não tinha
ninguém pra conversar, recorri ao whats app pra tentar acalmar os ânimos (e até que deu certo!)
Fui caminhando em direção ao avião e quando entrei...”Meu Deus, estou no avião dos filmes dos
anos 80”...Gente, é sério o avião parecia meio velho, e confesso que fiquei
com medinho “Ai meu Deus, é nisso mesmo
que vou passar 10 horas no céu?” . Assim...o avião não possui televisões
individuais, somente uma grande na frente e 2 nas laterais. Tinha aqueles
canais de rádio meio muquiranas e é isso aí...Ai de você se não levar o seu
tablet, livros ou qualquer outra coisa que te entretenha. Vai ficar chupando
dedo...Assim como eu...hahahahaha.
Eles até tinham uma programação pré selecionada de filmes e
seriados, mas é aquilo né...Se você quisesse assistir outra coisa, problema
seu...rsrs.
Ah! E o fone de ouvido que eles deram tinha que ficar meio
pra dentro e meio pra fora, sabe? Pro som sair dos dois lados!!! E eu fui assim
até Charlotte onde seria a Imigração.
A Temida Imigração
O meu visto é de 10 anos, eu tenho um bom emprego no Brasil,
mas não adianta...Eu fiquei com um cagaço danado na hora da imigração...Talvez
seja pelo fato de eu só estar levando comigo $500 em dinheiro (meu dinheiro das
férias não caiu no dia previsto e eu tive que me virar com o que eu tinha +
cartão de crédito) ou talvez seja pelo fato que eu estva levando sementes de
jiló na minha mala despachada (sementes, plantas e afins são estritamente
proibidos...imagina a minha cara quando eu li isso no papel da imigração? O_o),
ou ainda, talvez, seja pelo fato de eu estar de óculos e cabelo curto e na foto
do meu passaporte eu estou sem óculos e cabelo grande...Os agentes da imigração
poderiam achar que eu era uma foragida da polícia brasileira...vai entender a
cabeça desses caras? Hahahahha
Mas então, lá estava eu depois de 10 horas de vôo, iria
enfrentar a imigração ali em Charlote (minha conexão para Boston). Eu sempre
achei que a imigração fosse feita no “ponto final”, mas pelo visto não era
assim...Devia ser para facilitar as coisas pra quem fosse deportado...Já estava
no meio do caminho, né? Rsrs
E chegou a minha vez...Percebi que estava indo bem rápido
sem muitas perguntas...
(Trecho da conversa traduzida livremente para o português...rs)
Agente Imigração: Olá, tudo bem?
Eu: Tudo.
AI: De onde você é?
Eu: Brasil (Pô, tá no meu passaporte, né...pensei...rs)
AI: É a sua primeira vez nos USA?
Eu: Sim
AI: Quanto tempo você vai ficar no país?
Eu: 2 semanas
AI: Onde você vai ficar?
Eu: Na casa da minha família.
AI: Em que você trabalha no Brasil?
Eu: Sou consultora empresarial
AI: Ok, tenha um ótimo dia. Encoste a sua mão aí.
Eu: Tudo.
AI: De onde você é?
Eu: Brasil (Pô, tá no meu passaporte, né...pensei...rs)
AI: É a sua primeira vez nos USA?
Eu: Sim
AI: Quanto tempo você vai ficar no país?
Eu: 2 semanas
AI: Onde você vai ficar?
Eu: Na casa da minha família.
AI: Em que você trabalha no Brasil?
Eu: Sou consultora empresarial
AI: Ok, tenha um ótimo dia. Encoste a sua mão aí.
E pronto...Digitais escaneadas, passaporte com carimbo de
entrada na mão...E eu estava livre. Livre para conhecer e viver o sonho americano.
Pinto no Lixo, essa expressão descreve exatamente como eu estava me sentindo naquele
dia!
Indo para Boston
A conexão em Charlote foi super tranquila. O aeroporto é
relativamente pequeno e sem complicações. Wiffi liberado e algumas cafeterias na
área de embarque (tomei meu primeiro Starbucks em solo americano...rs).
Ah! Em Charlote eu precisei pegar a minha bagagem e
despachar novamente (foi a primeira vez que eu fiz isso, mas foi super
tranquilo).
O avião da US Airways dessa vez era mais novo, mas continuou
sem o entretenimento. Foram 3 horas de vôo até Boston e eu não tinha outra
opção senão dormir...
Cheguei em Boston, e eu ainda não estava acreditando...Eu
estava ali, naquele país que demorei tanto pra conhecer, iria ver a minha
família que não via há uns 15 anos, iria poder fazer todas aquelas coisas que a
gente vê no filme, mas não sabe muito bem se realmente existem...Eu estava
prestes a viver o meu sonho de
adolescente e que sonho bom aquele!
Ah! E os $500? As minhas férias caíram no dia que cheguei em Boston e foi só eu transferir o valor para o meu travel money e pronto. No dia seguinte eu tinha dinheiro suficiente para a a minha estadia nos EUA.
E o jiló? Você deve estar se pergutando...Deu tudo certo. E quando eu cheguei aqui eu descobri porque a minha família queria as benditas sementes de jiló...Aqui o quilo do jiló é $8 e no Brasil o quilo é menos de R$ 2,00...tá entendido.
